A disputa pelo clique do internauta

Os sites financeiros conseguiram atrair uma audiência de milhões de usuários domésticos em fevereiro, segundo dados do Ibope, o que representa que atingem quase 40% da audiência ativa da Web brasileira. É um número considerável, se levarmos em conta que as informações se referem somente a acessos domésticos.

Os dados dos bancos mostram que, na verdade, o volume de clientes que usam o internet banking é bem maior. No Bradesco e no Banco do Brasil são quase quatro milhões. No Itaú, 2 milhões de pessoas. Na Caixa e no Unibanco, estão próximos de 900 mil. No HSBC, 200 mil. No Santander, 130 mil.

A grande disputa pelo clique do cliente

Estes dados mostram, na verdade, que mais de 12 milhões de correntistas, considerando-se dados repetidos, isto é, que possam acessar o internet banking tanto no Bradesco, como no Banco do Brasil, vão até os sites financeiros no Brasil, o que coloca o país como um dos mais avançados do mundo nesta área.

A cantilena é antiga. Em razão dos seguidos anos de inflação, os bancos brasileiros investiram pesado em soluções tecnológicas, transformando o setor num dos mais avançados mundialmente e, em muitos casos, pioneiro na adoção do autoatendimento bancário. Estes serviços apenas migraram para a internet, aproveitando-se da cultura “self-service” do brasileiro.

Veja algumas comparações, com dados do Ibope em vários países do mundo nos quais faz a aferição da audiência de internet:

  • Em termos de usuários ativos, o segmento de sites financeiros no Brasil teve um alcance de 39,41% em janeiro, atrás somente de Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Austrália e Noruega, nesta ordem. No caso de Estados Unidos e Austrália, os dados consideram a audiência no trabalho;
  • Considerando-se as informações de população online nos sites financeiros, o Brasil cai neste ranking. Perde para EUA, Reino Unido, Canadá, Coréia do Sul, Alemanha, Itália, França e Austrália. Mais uma vez, EUA, Austrália, França e Itália medem a audiência no trabalho.

Cliente é o seu bem maior

O interessante, ao analisar estes dados, é observar que o Brasil tem um universo online menor do que os países citados acima, mas em termos de alcance, está numa situação melhor do que nações consideradas do Primeiro Mundo, que têm um nível de renda e uma população que usa bancos muito maior do que a brasileira, o que explica, de certa forma, o avanço dos serviços de internet banking brasileiros.

Na briga pela audiência, os bancos locais se transformaram em grandes supermercados financeiros, criando verdadeiros portais nos quais os “clientes” podem se abastecer de serviços e produtos, desde os mais simples, como a consulta a saldo e extratos, até a compra de ações, planos de previdência, financiamentos, cartões de crédito, empréstimos, etc. O grande desafio, agora, é “rentabilizar” estes internautas.

De acordo com uma pesquisa da McKinsey, com 500 famílias em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, apenas 1,4% dos entrevistados abriram conta pela internet, um sinal de que a Web não tem sido um canal apropriado para conquistar novos clientes, mas pode ser usada para que os atuais correntistas consumam mais produtos e recebam um nível de serviço que os torne fiel à instituição financeira e como um gerador de conteúdo.

O seu patrimônio depende da sua base de clientes

Nesta área, além de ferramentas tecnológicas para conhecer melhor os hábitos do cliente, alguns bancos optaram por uma estratégia de adquirir sites que podem agregar a oferta de serviços. O caso mais notório foi a compra do WebMotors, operação do comércio eletrônico do setor automotivo, pelo Banco Real na época, numa tentativa de usar a base de “internautas”, interessados em vender e comprar carros, para oferecer propostas de financiamento de veículos.

O Bradesco criou na época o ShopFácil que, além de hospedar lojas de comércio eletrônico, oferece uma gama variada de meios de pagamentos e conseguiu conquistar novos correntistas pessoa jurídica, o que lhe gerou um rendimento muito maior nos serviços bancários oferecidos a estes varejistas virtuais do que a locação de espaço no shopping virtual.

São modelos que mostram que o esforço de elevar a audiência e de passar a imagem de um banco digital só pode ser compensado quando esses clientes virtuais, além de encontrar conveniência e um novo status de serviço, passem também a consumir produtos. Afinal, os bancos não são mídias como UOL, Terra, Globo.com ou iG, mas usam a internet para fazer a velha e tradicional intermediação financeira.

Com a popularidade do marketing digital e a disputa pelo clique dos usuários, as empresas utilizam dos avanços tecnológicos para disponibilizar diversos canais de comunicação, para fascilitar a aproximação com o cliente.

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